A Fábrica do Inglês, em Silves, reabriu, a 4 de julho, as portas do Museu da Cortiça, numa cerimónia institucional que reuniu mais de 200 convidados, entre os quais a presidente do Município de Silves, Luísa Conduto Luís, autoridades civis, representantes de instituições e parceiros da Antrix e da Carvoeiro Branco, para assistir ao regresso de um museu que foi distinguido, em 2001, pela Fundação Luigi Micheletti, como o melhor Museu Industrial da Europa.
Fundada a 2 de janeiro de 1894, pelos industriais Avern, Sons & Barris, a Fábrica do Inglês foi, durante mais de um século, o coração económico e social de Silves. Modernizada em 1918, por Victor Sadler (o «senhor inglês» que deu nome ao complexo), consolidou-se como uma das maiores unidades corticeiras do país, empregando gerações de silvenses. Em 1999, o espaço foi reconvertido num empreendimento cultural e turístico. O seu Museu da Cortiça – que preservou uma rara linha de produção industrial intacta – recebeu, em 2001, o prestigiado Prémio Luigi Micheletti para Melhor Museu Industrial da Europa, ano em que ultrapassou a marca dos 100 mil visitantes.
Após enfrentar a insolvência e o consequente encerramento em 2009, o complexo iniciou uma nova rota em setembro de 2025. A Antrix, S.A. adquiriu o empreendimento com o objetivo de fazer renascer a Fábrica do Inglês como destino cultural e turístico de referência, incluindo nesse projeto a reabertura e funcionamento do Museu da Cortiça. “Um investimento de cerca de 50 milhões de euros num projeto que devolve à cidade um património de inestimável valor histórico, cultural e identitário”, destacou a presidente do Município de Silves, que recordou que a viabilização desta reabertura resulta de anos de trabalho contínuo do executivo municipal permanente na proteção jurídica, técnica e física do património cultural, especialmente do edifício do museu e seu espólio museológico. “A reabertura do Museu da Cortiça constitui um processo de restituição de um espaço encerrado há mais de 16 anos, pois que irão decorrer ainda os trabalhos de ultimação da sua estrutura edificada, de reposição dos núcleos da exposição de longa duração e a integração de novos bens culturais móveis da sua coleção museológica, com a finalidade da sua devolução à cidade, ao Algarve, à cultura museológica portuguesa e ao património industrial do país”, declarou Luísa Conduto Luís, que aproveitou ainda este marco histórico para enaltecer e homenagear o papel do saudoso Professor Manuel Ramos, antigo diretor do Museu da Cortiça. “O seu apego emocional e ativismo incansável foram vitais para que este precioso legado de Silves nunca se perdesse ou caísse no esquecimento”, enalteceu a edil.
Quando a Antrix e a Carvoeiro Branco retomaram o espaço, encontraram o museu praticamente intacto, com equipamentos, estrutura temática e narrativas preservados como numa cápsula do tempo desde o encerramento de 2009. “A exposição de longa duração mantém-se e os trabalhos em curso destinam-se a atualizar, não a substituir, o que resistiu”, esclareceu Erik de Vlieger, CEO da Carvoeiro Branco e Antrix. “O Algarve tem história, tem cultura, tem talento e tem ambição”, salientou o empresário, que anunciou que, entre as novidades previstas está uma sala dedicada precisamente à memória de Manuel Castelo Ramos. A homenagem chega no ano em que o Conselho da Europa elegeu o «Património em Risco» como tema das Jornadas Europeias do Património e o museu tem já uma nova direcao, sendo que a última sala do percurso expositivo passa a ser dedicada à mediação educativa e cultural.
Recorde-se que a Carvoeiro Branco é uma referência em promoção imobiliária no Algarve, contando com 32 projetos em desenvolvimento na região. Para além da reabilitação da Fábrica do Inglês, em Silves, o portfolio ativo da empresa inclui vários empreendimentos, entre os quais The Court e Primelife, em Carvoeiro, e Bela Formosa, em Olhão. A Antrix, adquiriu, em 2025, a Fábrica do Inglês, em Silves, com o compromisso de restituir à cidade o monumento industrial e o Museu da Cortiça que nele funciona. Detém a propriedade do complexo em conjunto com a Carvoeiro Branco.
Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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