Um episódio foi suficiente para nos colocar, outra vez, nas «bocas do mundo» e relembrar uma imagem de insegurança e de certa degradação que afeta o destino turístico.
O problema da Av. Sá Carneiro e, infelizmente, que já afeta a «baixa» de Albufeira, não pode continuar a alastrar e talvez a região e o país consigam apoiar a que se mude esta trajetória, considerando a verdadeira importância e impacto de Albufeira no contexto socioeconómico e do turismo nacional que pode influenciar todos.
Interessante que, tal como no passado, de há alguns anos a esta parte, sinto e vejo planos e concretizações preparadas e já em curso para, que em novas áreas de desenvolvimento, mudar e surpreender pela qualidade. Acredito que continuam, por isso é o momento para que essa parceria, liderada pelo município, aconteça.
Já no princípio do século, com o Plano de Revitalização e o Programa Polis, se tentou e ficámos a meio caminho da oportunidade, ao invés de o aproveitar, maximizar e adaptar aos tempos e aos meios. Mas a vida continua e temos mesmo de fazer acontecer a mudança e, em alguns casos, arrepiar caminho, comunicar/partir/regenerar/comunicar.
Sim, já agora, com os instrumentos e origens financeiras disponíveis, se pode fazer dar atenção ao «olho do furação» seja com programa urbanístico de recuperação e tratamento de fachadas; de harmonização publicitária e de recuperação do espaço pedonal público, assim como das vistorias higiosanitárias aos estabelecimentos e seu licenciamento, bem como a inclusão em eventos cénicos de vivência cultural/ambiental comunitária. Surpreender.
A regra pode começar a imperar num enquadramento urbanístico sem receio de fazer afastar uma procura que a oferta agora propicia/alicia. O que, aliás, é normal considerando a enorme vantagem no aproveitamento dos proveitos para o baixo investimento e custo de operação em causa. Por isso o perigo de se alastrar rapidamente este modo de oportunidade dos «paninhos quentes» que aceitamos.
A problemática ultrapassa o álcool em excesso e, portanto, saibamos «no que nos estamos a meter» para evitar empregar recursos e vontades desadequados. Cuidemos de compreender que a situação vai também além do negócio dos estupefacientes, da sobrelotação e encaremos, com distinção e concertação de meios, o mercado das oportunidades de abuso em presença, que ultrapassa estas ruas, Albufeira e envolve mesmo o país em muitos casos de obtenção de autorização de residências.
Temos de nos envolver para ampliar novos produtos turísticos, nas áreas da produção e apresentação cultural e de eventos de animação, congressos/exposições empresarias, também na náutica com projeção internacional e no golfe, etc, infraestruturas/equipamentos para diversificar oferta. O país deve-nos muito mais que isso e precisa desse retorno sustentado.
Albufeira tem ainda mais + para dar.
Desde 1990* acompanho de muito perto a realidade habitacional, turística, de saúde e agora, na oferta hoteleira, deste pedaço encantado.
Conheço muitos dos atores, parceiros privados e investimentos que estão a ir para o terreno, assim como os líderes públicos políticos que distinguem este principal destino turístico e tenho mesmo um enorme respeito pelos atuais e uma grande saudade dos que já nos deixaram.
Surpreende-me, com gosto, que as razões destas apostas sejam ainda, as virtudes do território, da paisagem, que lhe deram palco a partir da década de 60 do século passado, ainda sem aeroporto. Sinto a nostalgia, mas disponibilidade ansiosa por parte de quem serve e faz acontecer os motivos do regresso de muitos que sentem aqui o conforto e segurança como parte da sua casa.
Temos mais que a oportunidade, temos o dever e, já agora, a vantagem da nossa reconhecida Albufeira ser aqui mesmo, no Algarve e em Portugal.
Paulo Neves é um «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha
Crónica publicada em:
*na cooperativa Habijovem (com conjunto habitacional premiado a nível nacional em Albufeira); como deputado proponente, em PIDDAC, da marina; na Região de Turismo do Algarve com o Plano de Valorização e Polis; na HPP/Lusíadas Saúde com a inauguração do Hospital; com o grupo Belver também nos seus hotéis), mas sempre acompanhado com muitos amigos daqui que impulsionaram estas medidas.
