No dia 23 de agosto, a Fortaleza de Sagres promove, em colaboração com O Corvo e a Raposa – Associação Cultural, um evento que une música, património, memória e reflexão histórica, integrado na 4.ª edição do Costa Vicentina Early Music Fest. Por ocasião do Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e da sua Abolição, efeméride instituída pela UNESCO, o programa previsto para a Fortaleza de Sagres propõe uma viagem pelos cancioneiros ibéricos dos séculos XVI e XVII, dedicando particular atenção aos vestígios culturais da presença africana preservados em repertórios da época, que contêm elementos rítmicos e linguísticos oriundos das regiões que correspondem atualmente ao Congo e Angola.

O programa terá início, às 15h, com a conversa «Vozes na sombra: ecos da escravatura na música ibérica da era moderna», orientada por Hugo Sanches, músico e investigador. Segue-se a atuação, às 16h, de O Bando de Surunyo, um dos mais conceituados ensembles portugueses dedicados à investigação e interpretação da música dos séculos XVI e XVII, que propõe o concerto «O Cancioneiro Ibérico: Entre Celebração e Memória». O espetáculo conta com as interpretações de Eunice Abranches d’Aguiar (soprano), Patrícia Silveira (alto), Carlos Meireles (tenor) e Sérgio Ramos (baixo), sob direção musical e acompanhamento de alaúde de Hugo Sanches.

Através de obras sacras e profanas, cortesãs e populares, o concerto percorre o diálogo constante entre celebração e memória, revelando a diversidade cultural de uma época marcada pela mobilidade de músicos, poetas e repertórios. Entre as obras apresentadas destacam-se composições de Mateo Flecha, o Velho, mestre do género ensalada, bem como o motete «Clamabat autem mulier cananea», de Pedro Escobar, integrado no Auto da Cananeia de Gil Vicente, exemplo da estreita relação entre música e teatro religioso na cultura ibérica renascentista.

A parceria entre a Fortaleza de Sagres – Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E. e O Corvo e a Raposa – Associação Cultural reforça o compromisso de ambas as instituições com a valorização do património histórico e cultural, promovendo o diálogo entre passado e presente através da música, da investigação e da reflexão crítica. A conversa e o concerto são de entrada gratuita, mediante a reserva obrigatória de lugar.