O JAT – Janela Aberta Teatro levou a cabo, nos dias 24 e 25 de julho, no auditório do IPDJ, em Faro, duas sessões de «Noites de Silêncio», nas quais o corpo falou mais do que a palavra.
O Teatro Físico é uma arte universal, que transcende o entendimento verbal e toca diretamente no interior do espectador, nas memórias e nas vidas não vividas. Nestas duas noites quentes de Verão, o público deixou-se levar pelas histórias contadas em cinco peças curtas que têm em comum várias facetas do carácter humano, como o amor, a crueldade, a beleza ou a comédia da vida. Uma homenagem à universalidade do Teatro sem palavras, a uma arte milenar compreensível através da eloquência do gesto, da poesia das imagens e da imaginação do público, e que foi protagonizada por Miguel Martins Pessoa, Pedro F. G. Mendes, Catarina Sagreira e Daniela Veiga, num espetáculo com Direção Artística de Miguel Martins Pessoa e Diana Bernedo.
Em «O Escritor», criado e interpretado por Miguel Martins Pessoa, assiste-se à luta incessante de um escritor sem talento. Perdido nas palavras perras de um cérebro racional e de um coração selvagem, o escritor não desiste de encontrar o texto perfeito. Uma peça repleta de comédia e drama, num espetáculo de mimo contemporâneo.
«Re-Laçar», com criação e interpretação de Catarina Sagreira e Daniela Veiga, é uma performance de Teatro Físico e simbólico que manifesta as vicissitudes da relação entre uma mãe e uma filha. Uma viagem através do confronto entre a realidade interna e a maneira como se revela para o exterior. Uma corda que se enlaça e entrelaça na descoberta do caminho que inevitavelmente as liga. Uma ferida que persiste em ficar aberta e que é responsabilidade de ambas cosê-la.
«Il Cuoco I e II» são da autoria de Pedro F. G. Mendes, uma performance de Teatro Físico e máscara, sem palavras, que introduz um bizarro cozinheiro numa inspiradora e profunda viagem. Ao confrontar-se com o mundo exterior, esta estranha personagem inicia um percurso poético e gestual à descoberta da sua própria identidade, dos seus significados e valores. Consigo leva apenas uma pequena mala, tesouro secreto de um mundo que a precede. Esta é uma viagem que se desenrola em tentativas. Entre a recusa e a incompreensão dos outros, este imigrante cozinheiro aguça o seu olhar através da máscara que endossa, que não é um meio para se esconder, mas um instrumento que lhe permite deixar fora o supérfluo, concentrando-se só no que é necessário.
«Marafado», criado e interpretado por Catarina Sagreira e Daniela Veiga, é uma performance de máscara larvária, uma peça cómica que aborda o conflito que a geração dos avós tem com os netos.
Finalmente, «Abismo», com criação e interpretação de Miguel Martins Pessoa, retrata a vida crua de um destino desalinhado. Peça dramática, intensa, vertiginosa, onde o personagem viaja ao passado para encontrar as razões de uma vida degradada. A crueldade colocada ao serviço de uma peça de mimo de ação.
Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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