O Zoomarine Algarve participou no estudo promovido pela Associação Ibérica de Zoos e Aquários (AIZA) para documentar o comportamento de diferentes espécies animais durante o eclipse solar do dia 12 de agosto. A iniciativa envolveu 13 zoos e aquários da Península Ibérica e permitiu recolher, de forma coordenada, registos audiovisuais sobre a resposta dos animais à alteração das condições de luminosidade.

Desenvolvido simultaneamente em 12 zoos e aquários espanhóis e no Zoomarine, único parque português a integrar a iniciativa, o projeto recorreu a câmaras e sistemas de gravação para acompanhar diferentes espécies antes, durante e após o eclipse. A iniciativa pretende contribuir para ampliar o conhecimento sobre a forma como os animais respondem perante alterações ambientais associadas a fenómenos desta natureza, reforçando simultaneamente o papel dos zoos e aquários enquanto espaços de observação, investigação e produção de conhecimento sobre o comportamento animal.

Os primeiros registos recolhidos pela AIZA demonstram que não existiu uma resposta homogénea ao eclipse. Enquanto várias espécies mantiveram os seus comportamentos habituais, noutras foram observadas alterações pontuais nos níveis de atividade, estados de alerta, comportamentos exploratórios, agrupamento ou rotinas normalmente associadas a outros momentos do ciclo diário.

No Zoomarine, onde o eclipse foi parcial e ocorreu muito próximo do pôr do sol, não foram registadas alterações comportamentais significativas na maioria dos animais observados. Os leões-marinhos permaneceram a dormir e as aves mantiveram uma atividade comparável à observada nos dias anteriores. Entre os registos efetuados, destacou-se o comportamento das borboletas, cuja atividade foi diminuindo gradualmente, permanecendo imóveis nas folhas durante o período do eclipse.

A ausência de alterações significativas constitui igualmente informação relevante no contexto do estudo, permitindo comparar respostas entre espécies, localizações e diferentes níveis de intensidade do fenómeno. De forma geral, aproximadamente 50 por cento das espécies observadas nos centros participantes apresentaram alterações ou respostas pontuais coincidentes com a diminuição da luminosidade. Nas restantes não foram registadas modificações significativas relativamente ao seu comportamento habitual.

A experiência de observação realizada durante o eclipse de dia 12 de agosto servirá também de base para dar continuidade ao projeto nos próximos grandes eclipses que serão visíveis na Península Ibérica. Está prevista a continuação deste trabalho durante o eclipse total de 2 de agosto de 2027 e o eclipse anular de 26 de janeiro de 2028, permitindo alargar os registos e aprofundar a observação do comportamento animal perante diferentes condições associadas a estes fenómenos.

Para além do Zoomarine, participaram nesta iniciativa o Zoo de Santillana del Mar, Parque de la Naturaleza de Cabárceno, Lacuniacha, Río Safari Elche, Oceanogràfic de Valencia, Terra Natura Benidorm, Bioparc Fuengirola, Sendaviva, Tierra Rapaz, Faunia, Zoo Aquarium de Madrid e Acuario de Zaragoza.