Já lá vão 16 anos desde a primeira edição do Ciclo de Concertos ao Entardecer e o fator novidade continua a ser uma das caraterísticas deste evento organizado pela ArQuente – Associação Cultural. Nomes emergentes da música nacional sobem, todos os anos, ao palco aos sábados, na Galeria Arco, em Faro, às 19h e aos domingos, na Fortaleza, em Sagres, às 18h. São estes os dois lugares que recebem a iniciativa. “Desenhamos este ciclo de concertos com muita dedicação. Queremos trazer ao Algarve jovens compositores que estão agora a emergir no mundo da música a nível nacional. O nosso ciclo pode ser visto como uma plataforma de lançamento”, refere a ArQuente.
Nesta edição, Jhon Douglas, Serena Kaos e Gorjão são os artistas convidados. Jhon Douglas atua nos dias 12 e 13 de setembro. Artista que transita entre a música, as artes plásticas e a performance, conta que as suas primeiras referências musicais foram os sertanejos ouvidos e cantados pelo pai e pelo avô na sua cidade natal, Vilhena, no Brasil. Em Portugal, consolidou-se como uma das vozes brasileiras mais ativas na cena contemporânea lusófona, ocupando palcos, galerias e festivais com um trabalho que se recusa a caber em molduras. A sua trajetória é marcada pelo autodidatismo e pela cultura da rua, num trabalho que cruza a natureza e o universo urbano. Depois do EP «MATO» (2019), do álbum «Jhon Douglas JungleBoys & Maritacas» (2022) e do provocativo «Artista Chinelo» (2024), Jhon inaugura uma nova fase com o álbum «Jhon Douglas de Vilhena» (2026) — um retorno às raízes, ao gesto nu da criação e à palavra dita sem ornamento.
No fim de semana seguinte, dias 19 e 20 de setembro, a convidada é Serena Kaos, artista portuguesa com raízes no Oeste português e base em Londres. Move-se num espaço onde o experimentalismo e o pop ainda se falam — como nos anos 90, quando essa fronteira não existia. O seu som funde o trip-hop britânico com texturas rock e eletrónicas e um ambiente de mistério. Em palco, esse universo não separa artista de público: Serena traz vulnerabilidade e espiritualidade ao centro de um contexto sonoro denso, transformando cada concerto num momento partilhado. É essa entrega que define o seu álbum mais recente, «FEARLESS IN TIME».
O ciclo termina com Gorjão, nos dias 26 e 27 de setembro, artista, compositor e multi-instrumentista lisboeta que integra o Conjunto Júlio. Lançou-se a solo com as canções «Pedaços» e «Cedo Demais», que o levaram a dar os primeiros concertos pelo país (Musicbox, Casa da Música, ADAO Barreiro). Em fevereiro de 2025, lançou o seu primeiro longa-duração, «E o Espetáculo Continua», que conta com a produção de Domingos Coimbra (Capitão Fausto), gravação de Diogo Rodrigues (Ganso, Luís Severo) e edição de Cuca Monga. “Temos muita gente que antes dos concertos procura ouvir os temas dos artistas anunciados, mas também há quem prefira ser surpreendido e que confia totalmente na nossa escolha programática”, conta a ArQuente.
Com um carácter intimista, que aproxima artistas e público, os Concertos ao Entardecer procuram também valorizar e dinamizar o património edificado e natural da região. Dar ao público a oportunidade de usufruir de espaços não convencionais através da música é uma das premissas da ArQuente. No caso dos concertos em Faro, na Galeria Arco, os bilhetes têm um custo de 10 euros (cada concerto), sendo que as crianças até aos 12 anos (inclusive) não pagam. Em Sagres, a entrada é gratuita, mas mediante reserva antecipada. As reservas, quer para Faro, quer para Sagres, podem ser feitas através do e-mail arquente@gmail.com.
Os «Concertos ao Entardecer» contam com o apoio do Município de Faro, do Promontório de Sagres e da Museus e Monumentos de Portugal, integrando a programação da Fortaleza para 2026. A iniciativa tem ainda o apoio da Tertúlia Algarvia e da Falcão Marques Seguros.
