Entre 3 e 5 de setembro, a Vila Adentro voltou a ser o epicentro da música e da cultura em Portugal com mais uma edição do F, um festival maduro, com identidade própria e uma relação de pertença com Faro, com o Algarve e com um público que, ano após ano, volta para fechar o verão. E a 12.ª edição está já oficialmente agendada para 2, 3 e 4 de setembro de 2027.

Foram 67 concertos distribuídos por oito palcos, entre ruas, praças, largos e muralhas do centro histórico, num percurso que juntou nomes incontornáveis da música portuguesa a projetos emergentes e a artistas que fizeram agora a sua estreia no festival. Entre os momentos que marcaram esta edição estão os dois encontros pensados especialmente para Faro, com Carminho em concerto com a Orquestra do Algarve e Ricardo Ribeiro acompanhado pela Orquestra de Jazz do Algarve, dois programas que aproximaram duas das maiores vozes do fado a formações profundamente ligadas à região. A eles juntaram-se as atuações de Slow J, Bárbara Tinoco, Wet Bed Gang, The Gift, Moonspell, Papillon, HMB, D.A.M.A, Branko, Chico da Tina e ÁTOA, as estreias de Mind da Gap, Maninho e Clã no festival e uma forte representação algarvia, que ocupou cerca de 30 por cento do cartaz e voltou a mostrar a vitalidade da criação musical que nasce na região. 
A aproximação ao espaço lusófono foi uma das marcas desta 11.ª edição. A presença de Tz da Coronel e dos Pelados, que reforçou a ligação histórica entre Portugal e o Brasil, e de Nelson Freitas, um dos nomes de referência da música cabo-verdiana contemporânea, teve uma resposta muito positiva do público e abre caminho ao que será uma das linhas de programação da próxima edição.

Para lá dos concertos, o Festival F voltou a abrir espaço à conversa. Nos Claustros da Sé, as três tertúlias desta edição juntaram alguns dos nomes mais sonantes do cartaz. No dia 3, «Agora é que são elas» reuniu Bárbara Tinoco, Lana Gasparøtti, Femme Falafel e Irina Barros em torno do lugar das mulheres na música. No dia 4, «IA cabe no verbo crIAr?» sentou à mesma mesa Manuela Azevedo (Clã), Fernando Ribeiro (Moonspell), Nuno Gonçalves (The Gift) e o maestro Martim Sousa Tavares, para discutir a inteligência artificial e a criação. A 5, «Rimar contra a maré» fechou o ciclo com Danni Gato, HERLANDER e Real Punch, numa conversa sobre o presente da música nacional. A programação estendeu-se ainda pelas ruas da cidade com o Artists & Fleas na Rua Galp, o Fagar Kids F no Largo de São Francisco, as exposições no Museu Municipal de Faro e na Galeria Municipal Trem «Manuel Baptista», a mostra da fotógrafa Kathryn Barnard e a exposição da ALFA na Galeria Arco, o videomapping da Fuse – Design Lab no Palco Fábrica Idealista, a Silent Party by Citroën no Palco Castelo, a zona de street food do Largo Afonso III e as arruadas, a dança, a poesia e o Grupo Coral Ossónoba, que fizeram do caminho entre palcos parte da experiência de um festival pensado para ser vivido por várias gerações ao mesmo tempo.

Ao entrar na segunda década, o Festival F atinge a maturidade e continua a afirmar-se como uma marca incontornável para Faro, atraindo um público cada vez mais alargado, regional, nacional e estrangeiro. O objetivo da organização não passa por crescer em dimensão, mas por consolidar o F e melhorar, de forma progressiva, a experiência de quem o vive. Esse caminho começa já: a ACAPO, Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, analisou o recinto nesta edição com vista à implementação, em 2027, de melhorias para pessoas cegas e com baixa visão. “Esta edição voltou a reforçar, de forma vincada, aquilo que o Festival F tem sido ao longo de 11 edições: um festival que faz de Faro uma referência para a música em língua portuguesa e que oferece a todos os que nos visitam uma experiência única, diferenciada pela oferta cultural e pelo facto de acontecer na zona nobre da cidade. Em 2027, vamos consolidar o F na sua dimensão, mantendo a abertura à inovação, quer na oferta cultural, quer no tipo de experiência que proporcionamos aos festivaleiros”, adianta António Miguel Pina, Presidente da Câmara Municipal de Faro.

Na 12.ª edição, de 2 a 4 de setembro de 2027, o Festival F manterá o compromisso com a música portuguesa e reforçará a aposta na lusofonia, em função da resposta muito positiva do público à aproximação que teve lugar nesta edição, consolidando o diálogo do festival com as diferentes geografias da língua portuguesa. Organizado pela Câmara Municipal de Faro, pelo Teatro das Figuras e pela Ambifaro, o Festival F continua a valorizar a criação artística, apoiar novos talentos e contribuir para o desenvolvimento cultural e social da cidade de Faro, do Algarve e do país.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina e Ricardo Coelho

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