A Maison du Portugal – André de Gouveia, integrada na prestigiada Cité Internationale Universitaire de Paris, em parceria com a Cátedra Lindley Cintra da Université Paris Nanterre e o Leitorado de Língua e Cultura Portuguesa da Université Paris VIII, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, veste-se de festa no dia 26 de setembro para acolher a apresentação do livro «O Flâneur de Paris», da autoria de João B. Ventura, editado pela The Poets and Dragons Society.
A sessão de apresentação contará com as intervenções de José Manuel Esteves e Gonçalo Cordeiro, docentes e investigadores na Université Paris-Nanterre. O encontro será ainda pontuado por momentos musicais interpretados ao acordeão pelo prestigiado músico algarvio Gonçalo Pescada que recriará o ambiente musical parisiense e lusófono, com reinterpretações de obras emblemáticas de Édith Piaf, Jacques Brel, José Afonso, Carlos Paredes, Ferrer Trindade e Richard Galliano.
Esta apresentação reveste-se de um forte valor simbólico e afetivo, pois João Ventura, antigo residente na instituição, regressa agora à «Cidade Luz» para celebrar a própria cidade à qual presta tributo no livro, fechando assim um ciclo perfeito entre a vivência do espaço, a memória e a criação literária. Mais do que um mero relato de uma prolongada estada em Paris, «O Flâneur de Paris» é descrito como um atlas literário íntimo e uma geografia afetiva. Na obra, os lugares iluminam-se como memórias e os nomes das ruas evocam escritores, filmes, canções e fantasmas. João B. Ventura desenha um mapa pessoal da cidade que o acolheu em diferentes momentos da sua vida: do Quartier Latin à Goutte d’Or, passando pelos cafés míticos e pelos cemitérios onde repousam as figuras da sua mitologia pessoal.
A Paris de João B. Ventura transpõe o espaço físico para se tornar um palimpsesto literário — a cidade de Baudelaire, Benjamin, Aragon, Hemingway, Queneau, Perec, Cortázar, Roubaud e Vila-Matas. Nas suas páginas inscrevem-se, em camadas sobrepostas, a experiência vivida, a literatura e o olhar melancólico de quem regressa sempre à cidade, mesmo quando dela se afasta. Segundo o editor e escritor Dinis H. Machado, com este livro, “João Ventura atinge um raro equilíbrio entre memória pessoal, crítica literária e cartografia poética”. “A obra não é apenas o retrato de uma cidade, mas um retrato do próprio ato de ler e escrever, convidando o leitor a perder-se. Exige do leitor a mesma disposição que a própria cidade — tempo, errância, atenção ao detalhe, disponibilidade para o acaso. E o que oferece em troca, na sua exuberância de citações e memórias, é um mapa subjetivo que confirma Paris como a última grande metáfora literária do Ocidente. Com uma escrita densa, envolvente e lírica, eis um convite à deambulação literária: não para descobrir uma Paris desconhecida, mas para aprender a olhar de novo para o que sempre ali esteve”, refere Dinis H. Machado.
