A AHETA – Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve realizou, no dia 15 de outubro, no Castelo Suites Hotel, em Albufeira, mais um jantar-debate que juntou uma centena de empresários, autarcas e líderes regionais. Subordinado ao tema «Análise da situação económica e perspetivas para 2027», o encontro contou com a participação do Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, e promoveu uma reflexão sobre a realidade do turismo e os rumos da economia regional.
A abertura dos trabalhos coube ao presidente da direção da AHETA, Hélder Martins, o qual dedicou uma parte substancial do seu discurso a expor as distorções nos dados oficiais do setor. O dirigente denunciou que a amostragem do INE peca por deixar de fora a esmagadora maioria do Alojamento Local com menos de nove camas, um cenário que oculta o verdadeiro volume do turismo regional e faz com que, na prática, “falte contar milhões de dormidas” em relação aos registos europeus do Eurostat. O líder associativo criticou também o facto de o Algarve continuar a ser preterido na resolução deste problema, lamentando a forma como a região fica “sempre em último” no arranque de projetos-piloto de medição estatística.
Ao aprofundar os estrangulamentos estruturais da região, Hélder Martins dirigiu-se ao Governo para reclamar investimentos urgentes nas vias de comunicação, nomeadamente na requalificação da A22 e da EN125 no troço Olhão-Tavira, bem como na modernização da frota da CP e no avanço das ligações ferroviárias ao Aeroporto Internacional de Faro e a Huelva. Apontou igualmente a perda de expressão da TAP na região, que é a oitava companhia em oferta no aeroporto algarvio.
Hélder Martins aproveitou o momento para pedir a colaboração dos autarcas para defender a qualidade paisagística, com o alerta de que a proliferação de construções clandestinas e sinalética ilegal desvaloriza a imagem do destino. Se, no capítulo ambiental, reconheceu os progressos do Governo na resposta à crise da água, o presidente da AHETA colocou no topo das prioridades a urgência de erguer “habitação social para os nossos quadros”, indispensável para captar e fixar trabalhadores na região.
Na sua resposta, o Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, começou por elogiar a trajetória de sucesso do Algarve. O governante lembrou que a região passou de uma imagem negativa do passado para se afirmar hoje como o destino turístico dominante no país e uma referência internacional consolidada, mérito que atribuiu ao profissionalismo do setor privado e ao impulso dos órgãos locais. Para o titular da pasta da Economia, a riqueza do país gera-se no seio das empresas, devendo o Estado limitar-se a apoiar a iniciativa privada em vez de a condicionar, nomeadamente através da redução progressiva da carga fiscal sobre os trabalhadores e o tecido empresarial.
Num dos momentos centrais da sua intervenção, Castro Almeida anunciou uma verdadeira “guerra à burocracia”, materializada no futuro Código do Licenciamento. Esta reforma irá codificar e revogar 37 diplomas legalmente dispersos, com a regra essencial de dispensa do licenciamento prévio, o que permite às empresas de hotelaria e restauração comunicar a abertura e iniciar a atividade sem o travão das vistorias anteriores. Ao analisar os indicadores do turismo, o titular da pasta da Economia salientou que o setor cresce de forma saudável e acentuada em valor. Apontou que a subida de 6,8 por cento nas receitas turísticas, muito acima do aumento residual de 0,2 por cento nas dormidas, mostra que os visitantes “valorizam mais o Algarve e deixam mais dinheiro”, o que permite remunerar melhor o investimento e valorizar os salários. O ministro congratulou, ainda, a região pela redução progressiva da sazonalidade, com destaque para o facto de 60 por cento da faturação se realizar fora dos meses de verão, e confirmou a aposta no reforço de grandes eventos mundiais como o MotoGP e o regresso da Fórmula 1 para colocar Portugal no “Top 10 dos destinos mais competitivos do mundo”.
Após as intervenções, teve lugar um debate entre os participantes e os oradores. Em cima da mesa estiveram matérias críticas para a competitividade do Algarve, tais como o acesso a financiamentos, a escassez de habitação para os trabalhadores do setor, a diversificação de produtos complementares e a evolução do perfil do turista. A AHETA vai dar continuidade a estas iniciativas, tendo já agendado o próximo fórum para o dia 20 de novembro, que terá como convidado o Ministro da Administração Interna, Luís Neves.
