Anaïs Thinon, conhecida artisticamente como Antera, lançou, no dia 9 de outubro, o seu primeiro disco, «Delíria», com uma sonoridade muito própria que funde elementos da música tradicional portuguesa com a eletrónica contemporânea e o pop. Um disco que reflete as vivências pessoais da cantora e compositora lacobrigense e que pode ser apreciado, ao vivo, já na próxima edição do Festival Pedra Dura, em Lagos.
O pai de Anaïs Thinon muito pequeno fugiu da ditadura para a França, lá cresceu e conheceu aquela que viria a ser a sua esposa. Os anos passaram e, quando começaram a pensar em aumentar a família, regressaram a Portugal à procura de um local mais solarengo e ao pé do mar. De passagem pelo Algarve apaixonaram-se por Lagos e a escolha estava feita pelos dois pintores. E assim nasceu, em 1995, Anaïs Thinon, que muito cedo demonstrou também o seu gosto pela arte, mais concretamente pela música.
Estudou Piano Clássico e Canto Lírico na Academia de Música de Lagos, fez Artes Performativas em Lisboa, na vertente de Direção Teatral, e ainda andou por Espanha antes de rumar à Alemanha, Berlim, cidade que incutiu um lado mais eletrónico à sua sonoridade. “Claro que o ambiente familiar tem influência, mas o meu irmão mais novo esteve na música, mas depois não seguiu esse caminho. É algo que nasce connosco, desde pequena que canto e danço, aos 5 anos improvisava letras a tocar piano. O desenho e a pintura foram hábitos naturais para mim por causa dos meus pais, mas, quando olhava para os quadros, sentia que eram fantasmas nas paredes que precisavam de falar, de contar a sua história, de sair para fora, de ter movimento”, recorda a entrevistada.
Antera fez, então, a transição das Artes Visuais para as Artes Performativas e as peças foram-se colando como um puzzle à medida que ia aprofundando os estudos da música e no canto. Uma decisão que foi aceite com naturalidade pelos pais, apesar de conscientes das dificuldades que essa opção acarretaria. “Não te tornas artista de um dia para o outro, tens mesmo que desenvolver a tua sensibilidade, o teu estilo, a tua visão. Não é só uma questão estética, há uma questão filosófica, um pensamento que também tem que ser desenvolvido. E essa é a parte mais difícil e complexa para alguém que quer estar nas artes, predispor-se para percorrer esse caminho e não desistir quando as coisas não são imediatas”, acredita Antera.
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Texto: Daniel Pina | Fotografia: João Catarino
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