De 25 a 27 de setembro, Quarteira acolheu o II Encontro de Teatro Comunitário, em três dias de celebração artística gratuita com espetáculos de grupos de norte a sul do país, conversas abertas, workshops, exposição fotográfica e gastronomia comunitária. O evento promovido pelo JAT – Janela Aberta Teatro no Calçadão de Quarteira contou com uma programação totalmente gratuita e pensada da comunidade para a comunidade.

A grande abertura, na sexta-feira, dia 25 de setembro, ficou marcada pela estreia oficial da primeira parte do documentário «Ninguém sem Teatro», com realização e edição de Miguel Martins Pessoa. O filme documenta uma viagem de 5 meses por 6 países da América Latina, onde foram entrevistados 16 grupos de teatro num total de 800 horas de gravação. A obra põe em evidência o poder transformador das artes performativas nas comunidades, demonstrando a participação ativa de cidadãos dos 4 aos 104 anos de idade.

No dia 26, depois da conversa sobre «O impacto do teatro comunitário no Acesso à Cultura» com moderação de Dália Paulo (Diretora Municipal – Município de Loulé) e participação de Maria Vlachou (Diretora Executiva – Acesso Cultura), Miguel Martins Pessoa e Diana Bernedo (Diretores Artísticos do JAT) e Rui Germano (Diretor Artístico do Beleza Teatro); e da apresentação de «Somos Todos S. João», que presta homenagem à memória e tradições da União de Freguesias de S. João da Ribeira e Ribeira de S. João; subiu ao palco «A céu aberto» pelo Grupo de Teatro Comunitário do Campo, vindos diretamente do Gerês.

Numa assembleia, os animais do campo tomam consciência de que a solução apontada pelos seres humanos para as questões climáticas e energéticas em Portugal passa pela exploração de lítio. A partir daí, apresentam cenários desta mineração a céu aberto, questionando os seus impactos ambientais e o futuro do mundo rural. «A Céu Aberto» é um espetáculo multidisciplinar que cruza teatro, música e projeção audiovisual, desenvolvido a partir de jogos do Teatro do Oprimido e de improvisações do próprio grupo. Estreou a 25 de junho de 2022 no IV Encontro de Artes, Ecologia e Ruralidades, promovido pela Associação Cultural Rural Vivo, tendo sido apresentada em 14 locais desde então.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

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