Perante a instabilidade existente na Arábia Saudita, nomeadamente a intensificação dos ataques de combatentes huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, contra Riade, a edição de 2027 do Rali Dakar será transferida, excecionalmente em 2027, para a Europa e África, antes de regressar a solo saudita, em 2028, para a 50.ª edição, informou a Amaury Sport Organisation, que destaca igualmente a solidariedade de Portugal e Marrocos, que concordaram em reabrir os seus territórios ao evento. “A experiência portuguesa, por exemplo, voltou a ser realçada nas últimas três épocas pelo ACP – Automóvel Club de Portugal, que organizou a segunda ronda do Campeonato Mundial de Rally-Raid em abril, terminando em Loulé-Faro, no Estádio Algarve, com 30 mil lugares. Esta arena servirá de cenário para o lançamento da 49.ª edição, que naturalmente seguirá para Marrocos”, refere a organização da prova.
A Amaury Sport Organisation lembra que o Reino de Marrocos sempre se destacou pela qualidade dos seus desertos, que fazem deste vasto território, ainda repleto de surpresas, um destino desportivo por excelência para o rally-raid. “Experiente na organização de eventos internacionais, Marrocos poderá apoiar o Dakar a enfrentar um novo desafio organizacional no tempo limitado disponível”, frisa a ASO.
Assim, as verificações técnicas terão lugar, de 6 a 8 de janeiro, no Estádio Algarve, com a ação desportiva a arrancar, em Portugal, a 9 de janeiro, com o prólogo, antes da primeira etapa especial no dia seguinte. A etapa continuará com uma transferência para o porto de embarque para Nador, Marrocos, sendo que a travessia do Mediterrâneo acontecerá durante a noite. Depois da chegada ao continente africano a 11 de janeiro, os concorrentes seguirão por transferência para o primeiro acampamento marroquino em Bouarfa. Da região oriental, no nordeste de Marrocos, a corrida seguirá inicialmente para sul ao longo das Montanhas do Atlas, a verdadeira espinha dorsal do Reino, passando por Zagora, depois Agadir, onde a caravana fará uma pausa de 24 horas.
Será então altura de se afastar do Atlas e aventurar-se profundamente nos vastos e pouco explorados desertos do extremo sul do país. Smara, quase a chegar a Dakhla, marcará os pontos mais distantes no mapa da segunda semana. A partir daí, a caravana iniciará a sua viagem de regresso ao norte, mais uma vez via Smara, antes de seguir o Oceano Atlântico e chegar a Marraquexe, o seu destino final.
O percurso, desenhado nas últimas semanas com base no conhecimento acumulado pelas equipas organizadoras e numa série de missões de reconhecimento, cumpre os padrões habituais do maior evento de rally-raid da temporada, com 4 mil e 341 quilómetros de especiais, um número próximo do formato das edições mais recentes. No dia a dia, a maioria das especiais terá entre 350 e 500 quilómetros, uma média substancial, especialmente tendo em conta a natureza específica do terreno a percorrer. Isto porque os desertos de Marrocos estão entre os mais exigentes do mundo, tanto para pilotos e copilotos, como para as suas máquinas.
