A Fundação Manuel Viegas Guerreiro (FMVG) assinala, no dia 31 de outubro, em Querença, o aniversário de nascimento de Manuel Viegas Guerreiro, reunindo patrimónios cultural e natural. Um documentário e uma Aula Livre sobre as Grutas das Solestreiras, em pleno Geoparque Algarvensis, compõem a celebração.

Com um programa pensado na evocação dos valores e obra de Viegas Guerreiro, a Fundação organizou mais uma Aula Livre, inspirada no projeto do Mestre: os Estudos Gerais Livres. A abrir a sessão, o documentário «Manuel Viegas Guerreiro: viagem de 3 séculos pela Etnologia» sinaliza o etnógrafo africanista, coletor das tradições orais e de objetos de arte africana que integram, hoje, coleções de museus nacionais. Homem da Ciência e uma referência do Humanismo sem preconceito, Viegas Guerreiro, deixa pistas fundamentais para compreender a realidade humana na sua região e no mundo.

Celebrando o amor que tinha pelas pessoas de Querença e pela serra algarvia, a Aula é, desta feita, dedicada ao território da sua aldeia natal, a um lugar quase mítico para a maioria da população local: as Grutas das Solestreiras, inseridas no Geoparque Algarvensis, reconhecido como Geoparque Mundial da UNESCO, em abril deste ano. Para a sessão de dia 31 de outubro, a Fundação convoca a memória, a investigação e a partilha do saber: “As Grutas das Solestreiras, integradas no território do Geoparque Algarvensis, constituem o ponto de partida para a descoberta deste nosso património”, destaca João Silva Miguel, presidente da FMVG, acrescentando que “se a Etnologia nos ajuda a compreender as marcas deixadas pelas comunidades humanas nas suas práticas do dia a dia, das narrativas e das tradições, a Geologia e a Paleontologia permitem-nos recuar no tempo e interpretar os vestígios de processos naturais que moldaram as paisagens e os territórios”.

A Aula intitula-se «Entre pedras e pedrinhas: como o território molda as suas gentes» e será proferida por Hugo Campos, paleontólogo e geólogo da Câmara Municipal de Loulé, afeto ao Geoparque Algarvensis. “Esta Aula representa uma oportunidade para reforçar a importância do diálogo entre a investigação científica, as instituições locais e as comunidades que vivem e constroem a identidade deste território”, salienta João Silva Miguel. Após a Aula Livre, o público presente partilhará memórias e experiências ligadas a este património geológico e cultural. João Guerreiro, geógrafo e antigo reitor da Universidade do Algarve, junta-se à celebração num momento que a FMVG chama de “testemunho”.

O 114.º aniversário de Viegas Guerreiro assinala-se no auditório da Fundação a partir das 17h. Na galeria da entrada, existe uma pequena mostra — O Campo e a Cidade — sobre a investigação de Manuel Viegas Guerreiro junto das comunidades rurais em África e em Querença. É inspirada nas palavras do Professor: “Não há cidade sem campo, é para este e para o seu seio que ela se abre; duas entidades inter-ligadas, em perfeita complementaridade”. («Campo e cidade: o camponês e o urbano», in «Revista Lusitana», 1989).

A entrada é livre para todos os públicos e a FMVG tem o apoio da Câmara Municipal de Loulé e da Junta de Freguesia de Querença.