A primeira campanha de trabalhos arqueológicos subaquáticos do projeto MUSA – Musealização dos Achados Arqueológicos do Fundo do Rio Arade decorreu de 15 de setembro a 3 de outubro e os resultados preliminares foram apresentados, no Museu de Portimão, numa sessão que incluiu também uma visita de barco ao estuário do Arade.

A apresentação, que decorreu na Sala do Descabeço, contou com a intervenção de José Bettencourt, Chefe de Divisão do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), que detalhou o ponto de situação da campanha em curso. Intervieram também Bruno Inácio, Vice-Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), Anabela Ribeiro, Vereadora com o pelouro do Ambiente da Câmara Municipal de Lagoa, e Álvaro Bila, Presidente da Câmara Municipal de Portimão.

A primeira campanha aconteceu em vários sítios subaquáticos dos concelhos de Portimão e Lagoa com o objetivo de aprofundar o conhecimento científico sobre os vestígios históricos submersos na bacia do Arade. A segunda fase está prevista ter lugar entre maio e outubro de 2027.

MUSA: investigar, conservar e valorizar o património subaquático

O projeto MUSA resulta de uma parceria entre os Municípios de Portimão e Lagoa, o Património Cultural, I.P., através do CNANS, e a CCDR Algarve, contando com um investimento inicial de 3,4 milhões de euros financiado pelo Programa Regional ALGARVE 2030. O projeto visa investigar, conservar e valorizar o património arqueológico marítimo e subaquático do estuário do Arade, uma zona estratégica com vestígios que cobrem mais de dois mil anos de história.

Atualmente, o CNANS tem à sua guarda mais de 1.800 bens arqueológicos móveis oriundos da região, destacando-se a embarcação Arade 1 e as peças de artilharia da Ponta do Altar B, classificadas como Tesouro Nacional. Estruturado em três eixos fundamentais — Trabalhos Arqueológicos, Conservação e Valorização —, o MUSA prevê um vasto plano de ações: a reformulação e ampliação do núcleo de arqueologia subaquática do Museu de Portimão; a criação do Museu Arqueológico de Lagoa; a criação de uma reserva subaquática visitável; o reenterramento de materiais orgânicos sem tratamento imediato para salvaguarda futura; uma exposição nas margens do Arade; e o lançamento de um Museu Virtual, entre outras iniciativas.

A campanha arqueológica abrangeu vários contextos de elevado interesse arqueológico, como Arade B, Leixão da Gaivota, Geo 1, Arade 1, Geo 5, Arade 23 e o sítio do naufrágio da canhoneira portuguesa Faro, ocorrido em 1912. Os trabalhos envolvem a colaboração de diversas entidades científicas e operacionais, designadamente a Universidade do Algarve, através do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património; a Universidade NOVA de Lisboa, através do CHAM – Centro de Humanidades; a Administração dos Portos de Sines e do Algarve; a Marina de Portimão; a PortiSub; e a Capitania do Porto de Portimão. A curto prazo os trabalhos serão complementados com prospeção geofísica das zonas arqueológicas, sondagens geoarqueológicas nas margens e leito do rio, além do estudo arquivístico aprofundado sobre a história documental do rio Arade.

No âmbito da conservação, está a ser instalado e equipado o laboratório especializado e a reserva arqueológica afetos ao projeto. A aquisição de equipamento técnico avançado para o laboratório de conservação do Museu de Portimão garantirá as condições ideais para a preservação de bens recuperados de ambientes subaquáticos. Este investimento reforçará a capacidade de resposta às necessidades de conservação dos materiais arqueológicos e contribuirá para consolidar o papel do Museu de Portimão nesta área.

A musealização dos achados arqueológicos e a sua disponibilização ao público constituem objetivos centrais do MUSA, que pretende aproximar a comunidade deste património e promover a sua valorização cultural e turística, dando a conhecer a importância histórica do estuário do Arade e a sua relação com a história da região. Paralelamente, foram já iniciados os trabalhos preparatórios para o futuro Museu Arqueológico de Lagoa. Numa primeira fase, serão realizados os diagnósticos arqueológico e geotécnico do Solar dos Júdices, e, posteriormente, começar-se-á a trabalhar na reformulação expositiva do Museu de Portimão e na construção do discurso museológico do novo equipamento a criar em Lagoa.

Com o MUSA, Portimão e Lagoa consolidam uma estratégia comum de salvaguarda patrimonial, unindo a investigação científica ao desenvolvimento cultural e turístico do Algarve.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Projeto MUSA

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