O Festival de Observação de Aves e Atividades de Natureza realizou-se, de 2 a 5 de outubro, em Sagres, e 1.568 participantes, de 30 nacionalidades, tiveram à sua disposição um programa com 305 atividades dedicadas à observação de aves, à natureza e à biodiversidade. Entre os principais resultados desta edição destaca-se o registo de 165 espécies de aves, incluindo o falcão-da-rainha que, por ser uma ave de rapina pouco frequente no nosso país, proporcionou um momento marcante para muitos observadores de aves.
A sexta-feira, 2 de outubro, ficou particularmente marcada por uma forte passagem migratória, proporcionando condições excecionais de observação em vários pontos do território. Em locais como Vale Santo, Cabranosa e Ponta da Atalaia, foram observados grandes números de cartaxos-nortenhos, rabirruivos-de-testa-branca e chascos-cinzentos, entre outras espécies. A biodiversidade marinha esteve igualmente em destaque, com o registo de oito espécies de megafauna marinha, entre as quais a baleia-de-Bryde e o tubarão-martelo-liso, revelando a diversidade de espécies que pode ser observada na região, tanto em terra como no mar. O Festival proporcionou igualmente momentos de encontro, aprendizagem e partilha de conhecimento entre participantes, especialistas e entidades ligadas à natureza, aproximando diferentes públicos das espécies e dos habitats da região.
Na abertura oficial do festival, que teve lugar no Forte do Beliche, Pedro Neto, diretor executivo da SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, descreveu o festival como “um caso de sucesso para todas as pessoas que reconhecem o valor da natureza por si mesma, por tudo aquilo que faz pelos seres humanos e pelo valor económico que gera”. Já Francisco Lopes, vice-presidente da Almargem, lembrou que este é um dos maiores festivais do género a nível da Europa e o maior da Península Ibérica, “um sucesso não só a nível de quantidade, mas também de qualidade das atividades programadas”.
Presente este igualmente André Gomes, responsável máximo do Turismo do Algarve, “num festival que comprova a diversidade e a diversificação da oferta que dispomos na região”. “O Algarve é muito mais do que sol e praia, e é muito mais do que golfe, que continuarão a ser sempre os nossos produtos mais estruturantes e mais reconhecidos do ponto de vista nacional e internacional, mas, de facto, o turismo de natureza tem contribuído de forma decisiva para a sustentabilidade do território e para a diminuição da sazonalidade da atividade turística”.
Para André Gomes, a observação de aves, as caminhadas e outros produtos ligados à natureza “permitem-nos experienciar o território ao longo de todo o ano e de uma forma até mais calma, criando memórias que ficam para o resto das vidas dos visitantes”. “A observação de aves é uma atividade que nos ajuda a preservar os nossos recursos, mas também a partilhá-los com aqueles que nos visitam e com aqueles que cá residem. E esta partilha gera atividade económica, visitação aos nossos restaurantes, animação turística”, destaca o presidente da RTA. A finalizar as intervenções oficiais, Paula Freitas, presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, realçou a longa lista de nacionalidades presentes no festival. “Temos que pensar, sem dúvida, na natureza como uma alternativa para trazer gente ao Algarve, que não pode viver apenas do sol e praia. O nosso território tem características únicas, quer ambientais, como geológicas, tem que ser dado a conhecer, mas tem que ser também preservado”, frisou a autarca.
A espécie em destaque nesta edição do Festival de Observação de Aves e Atividades de Natureza foi a torda-mergulheira, uma ave marinha que ocorre nas águas portuguesas sobretudo durante o outono e o inverno. Excelente mergulhadora, alimenta-se de pequenos peixes e pode ser observada ao longo da costa durante a migração e a invernada. A escolha desta espécie lembrou também os desafios enfrentados pelas aves marinhas, nomeadamente a captura acidental em artes de pesca, sublinhando a importância do trabalho de conservação.
O Festival é organizado pela Câmara Municipal de Vila do Bispo, em parceria com a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA-BirdLife) e a Associação Almargem. A 17ª edição foi patrocinada por Nadara, Intermaché Sagres e Salema Ecocamp.
Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina e wildframesportugal/Município de Vila do Bispo
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