«O Jardim que Não Vemos», de Annegret Kellner, investiga a distância entre a natureza e as formas que escolhemos para a representar, organizar e compreender. Nas séries Picture Pigment e Deep Doodles, a artista parte de naturezas-mortas florais do século XVII — imagens construídas para celebrar a beleza, a abundância e a delicadeza do mundo vegetal — e intervém precisamente sobre aquilo que nelas ocupa o centro: as flores.
O título desta exposição aproxima-se da poesia de Fernando Pessoa, em particular de Alberto Caeiro e da sua recusa de procurar na natureza um significado para além daquilo que ela é. Uma árvore ou uma flor não precisam de ser interpretadas para existir. Estão diante de nós, inteiras e autónomas, antes de qualquer significado que lhes queiramos atribuir. «O Jardim que Não Vemos» convida a olhar de novo, para o que permanece invisível, mas também para o que o nosso olhar não alcança. Talvez o limite não esteja, afinal, no jardim.
A artista alemã Annegret Kellner, que vive atualmente entre Amesterdão, nos Países Baixos, e Estoi, em Portugal, é mais conhecida pelas suas obras fotográficas e escultóricas, que exploram o tormento subtil das plantas domesticadas. Os seus métodos provocadores evocam tanto conflito como conforto. Galerias como a Galerie Fons Welters, em Amesterdão, a Galerie Helder, em Haia, e espaços de arte independentes como o Nieuwe Vide, em Haarlem, e o Kunstverein Diepenheim já expuseram o seu trabalho. As suas obras fazem também parte de coleções como a da Fundação de Arte Akzo Nobel, a da Fundação de Arte KPMG, a do Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, entre outras.
O trabalho de Kellner tem sido analisado por plataformas como a Metropolis M, a Trendbeheer e a We Like Art e pode ser agora visto, até 19 de dezembro, na Galeria GAMA RAMA, em Faro.
