No dia 7 de novembro, a partir das 21h, a Biblioteca Municipal Lídia Jorge, em Albufeira, acolhe uma homenagem à escritora e poetisa algarvia Diamantina Negrão, assinalando o 111.º aniversário do seu nascimento. A iniciativa reúne cinema documental, poesia, performance e música original, num encontro dedicado à preservação e valorização da memória literária feminina no Algarve.

A programação tem início, às 21h, com a projeção do documentário «Cântico das Sombras», realizado por Susana Sousa, sobrinha de Diamantina Negrão. A obra revisita a vida e o percurso da escritora, recuperando memórias e testemunhos que contribuem para dar a conhecer a sua dimensão humana e literária.

Às 21h50 será apresentado o espetáculo «Mulheres que escreveram e não li», uma criação coletiva de Cláudia Tomé Silva, Sara Martins e Ana Simon, com música original de Ælf. Cruzando poesia, representação biográfica através de vozes off e expressão musical, a performance propõe uma viagem pelo universo de cinco autoras algarvias: Lutegarda Guimarães de Caires, Maria Veleda, Nita Lupi, Maria Antonieta Júdice Barbosa e Diamantina Negrão. O espetáculo procura recuperar percursos literários e humanos que, apesar da sua relevância, permanecem pouco conhecidos do grande público, convidando a uma reflexão sobre o lugar das mulheres na história cultural e literária da região.

A homenagem contará com a presença de Susana Sousa, realizadora do documentário, e de Laura Braz, modelo e atriz natural de Albufeira, que emprestou a sua voz à performance. Ambas irão partilhar memórias e vivências relacionadas com a escritora, acrescentando uma dimensão pessoal à evocação da sua vida e obra. Outras presenças poderão ainda juntar-se a esta celebração. Paralelamente, estará patente uma pequena exposição documental e literária, reunindo livros das cinco autoras, artigos de imprensa sobre Diamantina Negrão e alguns objetos pessoais da escritora. A iniciativa pretende não apenas homenagear Diamantina Negrão, cujo nome identifica uma instituição de ensino de Albufeira, mas também contribuir para a redescoberta de outras mulheres que, através da escrita, deixaram uma marca na cultura algarvia.

Cláudia Tomé Silva, Sara Martins e Ana Simon, três poetas e performers algarvias com percursos artísticos próprios, juntaram-se em 2023 para criar, juntamente com Lady N, o espetáculo «Roer o Silêncio», que levaram à cena até 2024. Em simultâneo, começaram a desenvolver uma nova criação dedicada a escritoras algarvias que o tempo quase apagou. A ideia original partiu de Cláudia Tomé Silva, responsável pela investigação e recolha bibliográfica que estiveram na génese do projeto. Desse trabalho nasceu, através de um processo de criação coletiva, «Mulheres que escreveram e não li», que estreou em 2025 e continua a dar palco e voz a figuras femininas da literatura regional.

A criação contou ainda com a colaboração de seis mulheres: Neusa Dias, responsável pela consultadoria artística, e Teresa Correia, Hélia Coelho, Sofia Correia, Sónia Pereira e Laura Braz, que deram voz às representações biográficas das cinco escritoras, contribuindo para a construção da sua presença e identidade no espetáculo. Ælf, músico e compositor, assina a criação musical original. Mais do que um acompanhamento, a música constitui um elemento estruturante da performance, dialogando com a palavra poética, acrescentando contemporaneidade e contribuindo para a construção das diferentes atmosferas evocadas em palco.